sexta-feira, dezembro 27, 2013

2013 de rajada

2013 foi um ano muito, muito bom. olhando assim, em forma de balanço, não tenho nada para lhe apontar... foi tudo positivo. Entrei o ano em minha casa, com 12 amigos à mesa, num réveillon para lá de divertido e ao dia 2 já estava a preparar a defesa da tese. Defendi a tese de doutoramento com louvor e distinção, tive todos os meus amigos presentes, colegas de longe vieram de propósito e isso encheu-me o coração. Ver isso reconhecido pela presidente de júri, quase me levou às lágrimas. Durante uma semana andei a boiar no vazio típico do pós defesa. Fui invadida pelo "e agora?" Desesperei e estive quase a aceitei ir trabalhar num callcenter. Felizmente surgiu uma entrevista na minha área de trabalho, mas fora da minha área de residência. Beja. Fui, fiquei. Não pensei duas vezes, não me arrependi uma única vez. No espaço de uma semana, mudei toda a minha vida para Beja. Eu arranjei casa, os meus amigos trouxeram o "caminhão" e braços e levaram tudo para baixo. Os meus amigos são os melhores do mundo (e vêem-me as lágrimas aos olhos). Aterrei nesta nova cidade para iniciar um pós-doc e no primeiro dia já estava no gym. Eu queria toda a minha vida funcional, não deixar momentos para pensar no que estava a perder (sic). Nunca aconteceu porque por aqui tem sido sempre a somar. No gym encontrei pessoas fantásticas, que me receberam de braços abertos. Conheci uma nova realidade, novos amigos, novas aventuras. percebi que posso sempre começar de novo (outra vez), numa nova cidade, numa nova casa... sozinha (e o gato)... mas com a presença velada de todos os que levo no coração. Esses, não se ficaram pelos telefonemas e vibram cada vez que viajam até Beja. Descobri que a Ovibeja não é só ovelhas e que a ViniPax têm muitos vinhos ;). Descobri que Beja não é assim tão parada e pode ser muito divertida. Tivemos festas, pool party´s e até flash mobs e fomos todos juntos à color run. Não fui ao optimus Alive ver os Kings of Leon, mas nessa noite ouvi(vi) as suas músicas. Learned to be a bitch, mas não o sei fazer durante muito tempo. Voltei a mim e voltei a dizer o que sinto sem me sentir tola. Tolos são os outros que não respeitam essa franqueza e vulnerabilidade. Ouvi notícias que já esperava há algum tempo, pensei que não me afectasse tanto, afectou, aceitei, faz parte do caminho. Não sei se me apaixonei por alguém, mas sei que gostava. Desacelerei e estou a aproveitar para relaxar depois de alguns anos de stress e pressão. Não viajei para o estrangeiro. Passei férias em albufeira com as amigas. Fizemos um ranking das praias da zona, ganhou a dos tomates. Surpreendemos um amigo DJ na Bliss, ele adorou, nessa noite fomos para a zona VIP. Adormecemos às 10 da manhã depois de uma noite muito animada e de ver o nascer do sol. Tirei muiiiiiitas fotografias. O e-motions photography tornou-se mais sério, já tem blog e já foram muitas as sessões que fiz. Conheci muitas famílias, ganhei mais amigos e apaixonei-me ainda mais por esta coisa de imortalizar momentos.  Fiz uma séria de cursos de fotografia, markting, branding, posing. Passei muitas horas da noite a editar e a ler sobre fotografia. Continuo a surpreender-me com a quantidade de coisas que podemos aprender na net. Continuo com montes de ideias para o futuro. Tenho aprendido novas técnicas no laboratório e mais se adivinham. Tive mais dois artigos aceites e voltei a candidatar-me a pós doc. Este ano fiz as pazes com a ciência... afinal já é um longo relacionamento. Com os amigos partilhei momentos bons. Ao mesmo tempo que me afastei fisicamente dos meus amigos, mais formas arranjámos de promover convívios: Foram muitos jantares, almoços, aniversários, inaugurações de casa, noites de jogatana, domingos de passeio.  Fomos a Porto Côvo, ao Alqueva, descobrimos as Minas são Domingos, Vidigueira, Serpa e Beja mais em pormenor. Conheci as árvores, o moínho grande, o castelo... ainda me falta muito para conhecer. Aprendi palavras esquisitas e descobri o que é uma tiborna (nham) e comecei a apreciar vinho a outro nível. Dois dos meus melhores amigos casaram, a minha mãe casou. Nos dois casamentos apanhei o bouquet... to much presure ;) Duas das melhores amigas baptizaram os filhos... em ambos estive presente como fotógrafa ;). Duas amigas tiveram bébé, fui fotógrafa. Mais duas amigas que estão de esperanças. Arranjei coragem e finalmente adoptei uma minhõa para o meu gato (prometo que o próximo gato é para mim). Cada vez tenho mais a noção que a vida corre muito depressa e estou muito grata por poder apreciá-la com saúde, para mim e para os meus, um emprego e alguma estabilidade financeira e muito amor dos que me rodeiam. Se tiver de resumir numa frase o meu ano de 2013, uso José Saramago... Sempre chegamos onde nos esperam e com ela entro em 2014.

quinta-feira, dezembro 19, 2013

minhôa

Apresento-vos a miúda cá de casa. Mais uma que me enganou, bem enganada ;).


O G@to veio parar cá a casa, porque andava à nossa porta e assim que nos apanhou de carro aberto escapuliu-se lá para dentro e vai de fazer ron-rons. Esta foi mais ou menos da mesma forma. Quando a apanhei para a colocar fora do recinto, ainda a estava a levantar e já estava a ronronar que nem uma perdida e eu... não resisti. Enroscou-se logo no meu colo. E depois de muitos meses a tentar arranjar coragem para arranjar uma companhia para o G@to, acabei por tomar a decisão em segundos. Achei que ela era simpática o suficiente para se dar bem com o g@to e que ele ia ficar contente.
A verdade é que eles têm um feitio parecido e dão-se bem. Tirando grande parte do dia em que ela só quer andar em cima dele e andar a rebolar com ele pelo chão. Ele que foi apanhado de surpresa no seu reino mimado, não acha muita piada que eu divida os meus braços com outro bicho.
Resultado... tenho um gato meio deprimido e uma gata com a mania que a casa é dela. Eu, ando a tentar gerir mimos e a arranjar espaço para além do dos meus braços, no meu coração. Porque isto de amar a mais um bicho, como eu já amo o meu g@to, não é automático. E esta parte da equação é que me apanhou de surpresa.

para o ano

[vamos começar já com as promessas de ano novo]

vou tentar arranjar mais tempo, e cabeça, para escrever regularmente aqui no blog. É que eu adoro vir aqui, adoro escrever, dissertar da minha vida... mas, sem desculpas, é mesmo por falta de tempo. porque temas para falar há muitos. E agora, escolher qual?

quinta-feira, novembro 14, 2013

fotografias sem preço

Eu acho que existem fotos que não têm preço. Não são as mais nítidas ou as de exposição correcta, ou com o enquadramento perfeito. Embora tudo isso conte para uma excelente fotografia. Não, para mim, fotografias sem preço são as fotografias que não têm volta atrás, são as fotografias que captam aquele momento especial, importante e irrepetível, e podem não ser perfeitas. E normalmente não são.
Vou confessar, eu tenho um trauma com as fotografias. Eu não tenho fotografias de mim bebé, nem de mim em criança pequena. As minhas primeiras fotografias são provavelmente as que tirei na escola na primária. E isto quer dizer que eu não sei como era quando era pequenina, não faço ideia. E por muitas descrições que façam de mim, que pelos vistos até era uma bebé muito bonita (cof, cof), ninguém me consegue formar essa minha imagem na cabeça. Com a perda do meu pai, este trauma voltou, porque apercebi-me que tinha muito poucas fotos dele e de nós. São momentos irrepetíveis. E são perdas, para sempre.


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quarta-feira, novembro 13, 2013

o melhor dos meus dias


o melhor do meu dia foi sentir este sol de fim de tarde maravilhoso

o melhor dos meus dias

Escolher o melhor do meu dia, é um exercício que eu gosto de fazer, como forma de agradecimento por aquilo que eu tenho e como forma de constatar que é nas coisas mais pequenas que encontramos a felicidade... e mais importante que há felicidade todos os dias ;)

A Catarina e a Ana lançaram o desafio e eu que adoro este exercício decidi aderir ao "movimento"



No final do dia, antes de fechar os olhos e ceder ao cansaço, fazemos um exercício: escolher o melhor do nosso dia. Fazemos as pazes com o que correu mal, aceitamos as respostas que ainda precisam de tempo, acalmamos os medos e as angústias e guardamos apenas o melhor. Podem ser horas de festa ou apenas um instante de silêncio.

quem quiser pode juntar-se ao "movimento" aqui... e adormecer com um sorriso ;)

segunda-feira, novembro 11, 2013

dia de São Martinho

O dia de são Martinho vai ser sempre o dia do meu pai, porque hoje é o seu aniversário, e hoje faria 61 aninhos.

Vou tentar que seja sempre um dia feliz, apesar da ausência.
com muitas saudades tuas e de tudo o que não tivemos...
 

 

 
a última foto que lhe tirei e a constatação que tenho tão poucas fotos dele

sábado, novembro 09, 2013

é outra vez Natal

Não sei o que se passa comigo, mas este ano o meu espírito de Natal está ao rubro. Não fosse estar em Beja e os enfeites em Sintra e hoje já tinha a árvore montada. Apetecem-me as luzinhas de Natal, as bolas, o vermelho das decorações, papel de embrulho, o cheiro a lareira e aquela sensação de sorrisos, só porque é Natal. Acho que é de viver no Alentejo, fico com a sensação que sou aquela parte da família que todos visitam quando é Natal. No fundo, no fundo... eu sei que o que me apetece mesmo é o calorzinho da família, e mais do que isso, passar a ser eu a "terra", para onde voltamos quando queremos fazer uma pausa da vida e ser felizes! ;)

sexta-feira, novembro 08, 2013

laços colaterais

Hoje sonhei com pessoas que já não fazem parte da minha vida. Melhor dizendo, com pessoas que não me acompanham na vida, porque da minha vida continuam a fazer parte. Seja porque ainda penso nelas (que diacho até sonho com elas) ou porque ainda sinto alguma coisa por elas. No sonho, e na vida real, traziam vida consigo e eu senti o que se sente quando as pessoas fazem parte da nossa vida. Vibrei, fiquei feliz. Depois fiquei a sentir-me um pouco tonta... a sentir o mesmo que se sente com um amor não correspondido.  De todas as coisas que as voltas que a vida nos dá, a vida nos deixa, são estes laços colaterais. E se tudo o resto teve igual medida de amor e dor para se anular, nos laços colaterais o amor continua. E é mais um amor com o qual temos de terminar, sob pena de continuarmos a ser os tontos agarrados a memórias que não existem. Mas tenho pena.

quinta-feira, outubro 17, 2013

3


... e novamente a poesia na minha vida. o saber que estou exactamente no sítio onde devia estar.

don´t get me wrong... não foi beleza

Eu gosto de mim, eu gosto muito de mim... e sempre gostei muito de mim. Quero dizer, nunca tive grandes problemas com o meu corpo. Aliás, eu costumo dizer que tenho um problema de anorexia, mas ao contrário... a imagem que tenho de mim é sempre mais magra do que ao espelho ;). Há conta disso continuo com alguns quilos a mais... mas vivo muito bem com isso. Aliás, tenho a sensação que apenas acho que tenho uns quilos a mais porque há demasiadas pessoas à minha volta a dizer que têm peso a mais... porque na realidade, eu não acho que tenham e nem sequer sei quanto eu peso. E não quero saber. É verdade, verdadinha.
Não sou linda, mas também não sou feia. Tenho-me na minha conta. Não tenho nenhuma característica que me defina imediatamente. Não tenho olhos, nariz ou orelhas grandes nem pequenos. Mas, vamos sempre arranjar um defeito. Gostava de ter uma barriga lisa e menos peito.  Guess what? desde que eu me lembro que eu quero uma barriga lisa... e eu lembro-me de ser um pau de virar tripas. Olho para as minhas fotos da adolescência, quando era magrérrima e de nessa altura achar que tinha peso a mais, ou seja, eu sempre achei que tinha peso a mais, independentemente do número.

Faço ginásio regularmente, desde maio do ano passado. Sinto-me mais leve, saudável e tonificada... é tudo o que me basta. Desde essa altura só me pesei uma vez, e foi porque quebrei a regra que tinha estipulado de não me pesar se me sentisse bem com o meu corpo. Eu tinha, e tenho, como regra... que não é um número que vai definir o meu bem estar. E portanto se eu me sentir bem, não tenho porque me pesar e fazer desse número a linha que define a forma como eu me sinto. Eu sabia que tinha emagrecido e sentia-me bem, a roupa estava mais larga e assentava-me melhor e nas fotografias já conseguia perceber um perfil mais afinado. Quando me pesei, tinha exactamente o mesmo peso. Exactamente o mesmo peso. O trabalho de um ano de exercício físico e de melhoria da autoestima, jogado fora (atentem no alentejanando na escrita ;)) com um número na balança. Claro que eu sabia que tinha ganho massa muscular e que essa pesa... mas aquele número deixou-me de rastos. Antes de me pesar estava bem e sentia-me bem, depois de me pesar sentia-me péssima... o meu peso não mudou nesses 2 segundos e no entanto a minha cabeça, a minha disposição deram uma volta de 180 graus.

Para quê? Porquê? e para quem? ... fazemos nós isto a nós próprias, constantemente? 

Isto aconteceu há uns meses atrás, mas hoje apeteceu-me escrever sobre isto despoletada pelos comentários do meu último post e também porque deparo-me com muitas amigas minhas que estão constantemente preocupadas com o corpo e com os, supostos, quilos a mais, ou na mesma linha de pensamento... com "defeitos" que mais ninguém vê a não ser elas. E tenho reparado mais ainda nas sessões fotográficas que faço... quase todas as mulheres que fotografo me chamam a atenção para um "defeito" que eu nem tinha visto. É quase instantâneo... preparam-se para fotografar e "de perfil não porque o meu nariz é grande", "Não me posso rir porque faço papo" (ok, esta eu também faço... mas já aprendi a colocar o queixo para n aparecer ;)), "tenho aqui uma borbulha".... e por aí fora. E de todas as vezes... se não me dissessem... eu nunca iria reparar!

Nós passamos a vida focadas nos nossos defeitos, a detestarmos o que vimos ao espelho e pior... a lembrar as outras pessoas desse nosso, suposto, defeito. É um péssimo hábito, que não nos cansamos de fazer e que nos faz tão mal. Enquanto não treinarmos a nossa cabeça para deixarmos de odiar os nossos, supostos, defeitos (e não vou dizer, aprendermos a gostar de nós, porque isso é outa coisa), não há treino físico, nem magreza que nos faça sentir bem. Pensem nisso.

O facto de eu ter ficado especada a olhar para mim na Mango... não foi beleza, foi felicidade.


sábado, outubro 12, 2013

hoje olhei-me ao espelho

Não foi de prepósito. Estava na Mango a experimentar um casaco azul escuro da nova colecção e saltei-me à vista (gosto da expressão). De repente dou por mim a olhar para mim, quase como se de uma primeira vez. Como se ainda não tivesse reparado como sou bonita, como a minha pele estava no tom certo, lisa, os meus olhos límpidos, claros, sem rugas... até parecia que tinha ficado mais nova, como o meu cabelo estava no tom arruivado que eu queria e como tudo jogava certo. Como se me tivesse a apaixonar por mim ;). E fiquei ali um tempo a olhar-me, já não era o casaco, nem o resto da figura. Era eu, com olhos de ver, feliz.

terça-feira, outubro 08, 2013

ausente

eu sei, tenho andado um pouco ausente por aqui. Mas... eu não tenho andado parada, muito pelo contrário... tenho andado numa roda viva. Só que essa roda viva agora traduz-se menos por palavras e muito mais por fotografias. Passem aqui, não se vão arrepender. prometo ;)

quinta-feira, setembro 12, 2013

e-motions photography


A minha paixão pela fotografia continua a crescer.
Não deixem de me visitar
eu vou adorar ter vos por perto ;)

e chegou Setembro

Setembro sempre foi um dos meus meses preferidos, porque representa começos. Mas todos sabemos que começos, pressupõem fins. E este ano, o início de Setembro trouxe-me mais fins do que começos e talvez por isso não tenha escrito até agora. Ás vezes é preciso, sentir com mais força o fim de um ciclo, para ter a certeza e passar a acreditar em novos começos. E acho que finalmente... eu acredito em recomeços. Venham eles ;).

terça-feira, agosto 06, 2013

don´t get me wrong

Mas no fim tudo se resumo a tempo. ao tempo a passar


Dou por mim em pensamentos um pouco (senão de todo) bipolares, e dos quais não consigo encontrar o fim da meada e desenlaçar-me. Senão, vejamos. Eu sou solteira e sou feliz. Mas eu não quero ser solteira para todo o sempre... isso faz de mim infeliz agora? isso faz com que aquilo que eu tenha agora seja um presente incompleto?
É que eu prezo bastante a liberdade que tenho. Gosto demais da independência que conquistei.     Gosto de não ter de dar cavaco a ninguém. Gosto de não ter de contar com a opinião de outra pessoa, senão eu, para decidir onde vou, o que faço e com quem. Gosto de ser dona unitária de todas as minhas coisas, desde a casa, ao carro, ao gato, e da forma como gasto o meu dinheiro e o meu tempo. Mas sei que não quero que seja sempre assim. Sei que vou querer dividir as minhas coisas, o meu tempo (e talvez o meu dinheiro ;)) com outra pessoa. Vou querer que entre alguém na minha vida que me atazane o juízo, me faça duvidar das minhas escolhas, e me faça descobrir coisas que eu sozinha não teria pensado, e sobretudo me surpreenda.
Eu gosto do que tenho, mas sei que no futuro vou querer outra coisa. É tudo uma questão de tempo... tempo a passar.
E eu só não quero chegar tarde.

segunda-feira, julho 29, 2013

ia-me esquecendo...



Também não há ninguém para te tirar fotografias quando estás para lá de espectacular, poderosa em cima de uns saltos vertiginosos, em pleno chiado ;)

Ser solteira e ir a casamentos... "breves" considerações


Este fim de semana fui, pela primeira vez, solteira e sozinha a um casamento de 300 pessoas, das quais conhecia apenas duas, e mal. Não fosse eu gostar tanto da noiva e provavelmente não me metia numa destas. Mas decidi que, estar sozinha não é o fim do mundo, e eu não vou deixar de fazer coisas só porque estou sozinha. Não é o fim do mundo... mas posso deixar algumas considerações.

Primeira e principal, não podemos beber álcool (em excesso, e muito menos ao fim da noite). O que quer dizer que temos de passar por tudo... conscientes.
Não temos ninguém para nos segurar, se por acaso ficarmos tontas, ou mesmo sem ser tontas... só para nos segurar de cima dos nossos sapatos de saltos vertiginosos. Não vamos contar com ninguém nesse departamento... por isso é andar firme e segura pela calçada do chiado com uns sapatos de 15 cm de altura, a achar que me vou esbardalhar a qualquer momento dali a abaixo, e não chora.
Não há ninguém para nos ajudar a levar a máquina fotográfica, a pochete, o copo de vinho e os acepipes (wait, só tenho duas mãos), aguenta de pé em andas, mala no chão, pochete algures, moscatel na mão que ainda é cedo e posso beber.
Também não há ninguém para ir buscar o casaco e as sandálias ao carro a meio da noite, quando já se está levemente enregelada e com um andar esquisito. Sai sorrateira e faz uma última penitência até ao parque de estacionamento buscar os pertences, e não chora.
Também não há ninguém para ir buscar bebidas (sumos, porque já se faz tarde e não posso beber álcool), vai e enfrenta o barman que nos manda para a mesa dos sumos e água refundida num canto da sala... porque ali é só bebidas com álcool. Não chora.
A parte do lançamento do bouquet é um clássico e comum a todos os casamentos, por isso não conta para este, mas ainda assim fica o aviso. Noivas, não deixem menores de 18 a "competir"... todos nós sabemos que elas são mais agéis, além disso não competem em pé de igualdade (metam-lhes uns stilleto de 15 cm, para ver se elas conseguem) e todos sabemos que as crianças apanham tudo do chão. Not funny.
A abertura do baile é outra parte chata, porque somos presas por ter cão e por não ter. Não temos par para a pista de dança, mas ficar na mesa é igualmente mau. Vai para a pista, completamente sóbria (porque já são 2 da manhã e não posso beber) e dança como se não estivesse, e não chora. Sai da pista às 4h porque acha que já chega de dançar para todos e para ninguém e faz-se à estrada... literalmente ao volante do seu carro, com a visão bem focada e com um sorriso nos lábios. Sobrevivi.


PS- Foi um casamento fantástico, lindo, saboroso, divertido... e eu só me iria arrepender se não tivesse ido. Adoro-te miúda, que sejam muito felizes!!!
 ;)

sexta-feira, julho 19, 2013

para ti

Plano
Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
...
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos, que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

Nuno Júdice, in “Poesia Reunida”