Não costumo conduzir muito, porque normalmente ando de transportes públicos, mas agora que ando de motorista tenho conduzido todos os dias, por Lisboa em hora de ponta. Não sou propriamente naba, tenho carta desdo os 18, gosto de conduzir e acho que conduzo bem e acho que o problema é precisamente esse... conduzo bem. Respeito as regras, os piscas e as prioridades e por isso muitos condutores, e até acompanhantes, acham que sou naba, ingénua e boazinha porque deixo entrar ordeiramente à minha frente quando em fila (não deixo quando me querem passar à frente no trânsito), faço pisca antes de me lançar para a faixa do lado, dou prioridade a quem vem da direita e às manobras de quem vai à minha frente. Quando não respeitam o mesmo código que eu fico zangada, muito, e barafusto e lá vem outra vez o
és ingénua, e
és boazinha,
tens de ser como eles senão não te safas! E é esta inversão de valores
que me quebra o espírito, na condução e na vida. Eu espero que cada boa acção da minha parte, seja vista como algo bom e não como alguém que é naba e não quer seguir o caminho (mais fácil) de toda a gente. Porque esse eu também conheço, mas escolhi não seguir. Nos tempos que correm (depressa, demasiado depressa) o desafio não é ser bom, é conseguirmo-nos manter bons, mesmo quando nos tentam quebrar o espírito.